A Igreja Católica lucra com a pornografia | 21Mar2013 17:47:17

Publicado por: XavierSilva

 


Visitei Lee Codes, o consultor de investimentos éticos, para ver como o CBIS (Catholic Brothers Investment Services – Serviços de Investimento dos Irmãos Católicos) se comporta como um fundo ético. Estes são alguns dos investimentos em que a CBIS coloca dinheiro: 26 milhões de dólares na Google, 4 milhões na Yahoo, Marriott, Direct TV - uma empresa americana - Amazon, Vodafone, Watchnet ... Eles fornecem os filmes que você vê dentro dos hotéis. O que pensa disto?

Bem, a primeira impressão é que esse é o tipo de explorações que seria expectável num fundo convencional, sem políticas éticas de todo. Fico muito surpreendido por encontrá-las num fundo que em primeiro lugar assenta na fé e que em segundo lugar, é suposto ter uma política ética.

Quando se lida com, digamos, investidores católicos que gostariam de evitar ligações a empresas que possuem ligações com a pornografia; para essas pessoas, estas empresas estariam fora da lista de investimentos?

Sim, certamente, para os clientes individuais católicos ou instituições católicas que aconselhamos, todas essas empresas seriam inaceitáveis. Nós colocá-las-íamos seguramente na lista de não aprovados.

Mas não poderia a CBIS usar a sua posição de acionista nestas empresas para pressioná-las a desistir dos seus interesses pornográficos?

Existem muitas instituições de investimento e investidores individuais que começam por esse caminho de compra de ações, a fim de se envolverem. O problema é que muito poucos realmente têm uma política coerente e há muito poucas provas que alguém tenha realmente conseguido alguma coisa, indo por esse caminho.

As decisões de investimento de fundos católicos parecem ser desconcertantes. Para tentar obter uma explicação, fui a Roma.

Os irmãos americanos estão na cidade. Vieram e estão aqui em Roma neste encantador ambiente de claustro para lançar os serviços Europeu e Mundial da CBIS. O que significa a globalização dos seus fundos.

Tenho certeza de que suas intenções de investimento são eticamente firmes, mas dei por mim sentado numa fileira de freiras e a perguntar-me como é que os maiores fundos de investimento Católicos tinham dezenas de milhões de dólares em empresas que lucram com algo que todos aqui vêm como um pecado.

Há mais de 25 anos que os Serviços de Investimento dos Irmãos Cristãos, nos EUA, têm vindo a ajudar instituições católicas, congregações e dioceses em  investimentos responsáveis.

Após a conferência, tive a oportunidade de me sentar com o Irmão Louie de Tomases. Um dos fundadores da CBIS que espero que me possa esclarecer.

Dadas as posições muito claras da Igreja Católica em relação à pornografia, qual seria a sua abordagem prática para decidir em que empresas investir?

Seria muito simples, na verdade. Se fosse uma empresa que era exclusiva ou quase exclusivamente vocacionada para a pornografia, simplesmente dizemos 'você sabe, isso está na nossa Lista Negra, esqueça, não queremos investir em nada disso’. No entanto, se se tratar de uma empresa de entretenimento que é muito boa em todos os aspetos, mas que possamos ver que há uma introdução à pornografia ou uma orientação inadequada, aqui se pauta a eficácia daquilo que a CBIS defende como participação ativa; o que nós deveremos ser capazes de fazer é - por assim dizer – fazer lobby junto daquela empresa e dizer 'não vá por aí, não vá nessa direção’. Poderíamos ser uma força para o bem.

Existe uma espécie de percentagem de envolvimento de uma empresa com a pornografia, para que não invistam nela?

Eu gostaria de poder ter isso. Eu gostaria de poder dar uma percentagem ou algum tipo de fórmula. Como tudo o que está envolvido na área dos valores, estamos a falar de algo que leva ao julgamento, que leva a pensar, a tomar ações prudentes.

Através dos vossos fundos, temos cerca de 26 milhões de dólares investidos na Google. A Google, através da publicidade de links patrocinados, ganha quantidades significativas e consideráveis de dinheiro diretamente com a indústria pornográfica. Alguns analistas estimam que se fazem várias centenas de milhões de dólares por ano a partir dos links patrocinados, levando as pessoas até aos sites pornográficos. E vocês têm 26 milhões de dólares de ações nisso.

Podemos simplesmente dizer 'vamos sair dela’. E então você não teria a oportunidade de me fazer essa pergunta. Mas perdoe-me, nós não vamos fazer isso. Porque nós não estamos mais interessados que você em pegar nisso e dizer “Ah... Acho que vos apanhei”. Não, não. O que estamos a dizer é muito mais difícil. Nós estamos a dizer que estamos a avaliar prudencialmente a situação, estamos a estudá-la e estamos à procura de uma forma em que possamos efetivamente travar essa situação.

Vocês têm investimentos em múltiplas empresas e todas fazem algum dinheiro com a pornografia. O seu argumento é que você pode manter ações nessas empresas a usá-las como uma força para o bem, para mudá-las. Se for esse o caso, porque é que nos últimos sete anos não foi entregue uma única resolução dos acionistas para mudar qualquer uma dessas empresas?

Porque... Em primeiro lugar, qualquer uma dessas empresas - mais uma vez - não está a usar a pornografia como a sua principal fonte de negócios. O que estamos a tentar fazer é encontrar um meio eficaz, uma forma eficaz de levá-las a parar de fazer isso.

Eu entendo porque é que algo como a Google ou a Yahoo podem ser um tema mais atual e que estão a trabalhar nisso agora, mas você sabe... Hotéis, sabemos que durante sete anos nada tem sido... TV por cabo, o que sabemos sobre… sete anos, não houve nada ...

Eu não sei se isto vai... Se isto vai chegar a qualquer coisa produtiva. Olhe, deixe os seus telespectadores decidir o que você está a tentar fazer e deixe-os decidir o que é que eu estou a fazer. Eu não tenho qualquer problema com isso.





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